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Ex-secretário do AM confirma depoimento de Pazuello sobre oxigênio à CPI



O ex-secretário de Saúde do Estado do Amazonas Marcellus Campêlo disse à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado que avisou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em 7 de janeiro apenas sobre a necessidade de apoio logístico da pasta para o transporte de cilindros de oxigênio. Pazuello disse o mesmo à CPI em seu depoimento em 20 de maio.


“Sobre o oxigênio, especificamente, eu fiz uma ligação ao Ministro Pazuello, no dia 7 de janeiro, por telefone, explicando a necessidade de apoio logístico para trazer oxigênio de Belém para Manaus, a pedido da White Martins. A partir daí, nós fizemos contato com o Comando Militar da Amazônia, por orientação do Ministro, para fazer esse trabalho logístico. Mandamos oficio ao Comando Militar da Amazônia”, contou.


Pazuello disse à época que só teve conhecimento sobre o risco de colapso de oxigênio em 10 de janeiro: “Eu tive conhecimento no dia 10 à noite de que o risco logístico poderia trazer problemas graves de oxigênio. Risco logístico. Foi apresentado para mim de uma forma clara na reunião do dia 10 à noite”.

Campêlo foi na mesma linha e afirmou que antes dessa data não havia preocupação com falta de oxigênio e sim com a logística de entrega pela White Martins.


“No sábado [9.jan.2021]. Portanto, não havia colapso caracterizado, porque a White Martins ia entregar a carga. Existia uma programação da White Martins para isso.”, disse o ex-secretário.


“No dia 7, foi a ligação para pedir apoio logístico para Belém, de Belém para Manaus; no dia 10, informei a preocupação com as entregas da White Martins; e, no dia 11… A partir daí, o Ministério da Saúde começou a tratar diretamente com a White Martins”, declarou.


O ex-secretário disse também que antes da chegada de Pazuello a Manaus, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, já estava na cidade. Ela, entretanto, não foi informada sobre colapso de oxigênio. Segundo ele, o foco da ida dela à região teria sido o tratamento precoce com cloroquina e hidroxicloroquina.


“No dia 4 de janeiro, recebemos a Secretária Mayra Pinheiro…Estivemos juntos com o Governador, participando dessa reunião, com a presença da imprensa – está tudo registrado –, e vimos uma ênfase da Dra. Mayra Pinheiro em relação ao tratamento precoce e disponibilização de… Relatando um novo sistema que poderia ser utilizado e que seria apresentado oportunamente. Chamava-se TrateCov”, contou.


Em 21 de janeiro, o Ministério da Saúde tirou do ar o aplicativo “TrateCov“, que recomendava o “tratamento precoce” para pacientes que apresentavam sintomas da covid-19.


O aplicativo gerava um receituário médico que recomendava medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina. Os remédios não têm estudos conclusivos de eficácia contra o coronavírus.


Inicialmente, a plataforma foi lançada apenas para uso de profissionais de saúde, mas qualquer pessoa podia acessar, preencher o formulário e conseguir as receitas.

Senadores como o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e Eduardo Braga (MDB-AM), criticaram as falas do ex-secretário. Questionaram os contatos com o Ministério da Saúde e o porquê de não se suspeitar da falta de oxigênio antes depois de reuniões com a White Martins.

“O que é fato é que havia um aumento gradual, firme e constante, em função do número de infectados. A secretaria, o Governo do Estado teve tempo suficiente pra poder agir e, enquanto isso, Senador Omar, em 24 horas em que ele ficava trocando ofício, Senador Humberto, 200 pessoas estavam morrendo em Manaus por falta de oxigênio por dia”, disse Aziz.

Nega imunidade de rebanho

Campêlo foi perguntado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), se a secretaria de saúde do Amazonas teria incentivado a chamada imunidade de rebanho ou coletiva, quando muitas pessoas são contaminadas e o grupo todo de pessoas fica imunizada. O ex-secretário negou.

“Essa tese nunca foi ventilada em qualquer reunião de que eu tenha participado. Inclusive, a Dra. Rosemary Pinto, que era Diretora-Presidente da Fundação de Vigilância em Saúde, era absolutamente contra esse tipo de tese; era defensora exclusivamente das medidas não farmacológicas e tinha muita esperança na chegada das vacinas”, finalizou.


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