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Professores da UFCG emitem nota de esclarecimento sobre o estudo feito com substâncias do própolis



A repercussão da notícia “Patente de composição farmacêutica para Covid-19 inspirada no própolis verde é registrada por aluna e professores da UFCG“, difundida pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido da UFCG e elaborada a partir dos resultados do projeto de iniciação científica da aluna Natália Raquel Silva Oliveira do curso de Farmácia (CES/UFCG), teve grande repercussão positiva. Apesar disso, os professores orientadores da aluna e idealizadores do projeto destacaram, através de uma nota, vários esclarecimentos e alguns posicionamento sobre interpretações precipitadas e distorcidas acerca do que foi divulgado.

Veja a seguir o que falaram os orientadores da pesquisa (professores Dr. Rafael Trindade Maia, Dr. Bruno Medeiros Roldão de Araújo e Dr. Franklin Ferreira de Farias Nóbrega): “O estudo foi através de simulações e seus excelentes resultados são preliminares. Contudo, os resultados sinalizaram um potencial muito interessante que nos motivou a reivindicar uma patente. Achamos importante garantir uma certa proteção em território nacional desta descoberta. Porém a pesquisa precisa e deve ser continuada. A aluna do referido estudo é estudante do curso de Farmácia do CES-UFCG. No entanto, os professores que idealizaram o projeto e orientaram a discente são de outras unidades e centro da UFCG e apenas a estes recai qualquer necessidade de esclarecer e se posicionar sobre alguma repercussão. Neste contexto, os engajados e competentes professores do curso de farmácia do CES-UFCG são completamente isentos de qualquer responsabilidade sobre o estudo e suas repercussões. A única colocação justa a este corpo docente é parabenizá-los pelo mérito de formarem estudantes brilhantes como a Natália. A estes colegas, nosso sincero reconhecimento! O própolis não foi patenteado. O uso do extrato bruto do própolis já é de domínio público. A patente do estudo protege uma nova composição inspirada em alguns compostos presentes no propólis.

Em nenhum momento se propõe o uso de própolis em detrimento de vacinas e outras medidas. Não é finalidade do estudo competir e tampouco substituir a vacinação. No combate a uma doença viral as vacinas são a melhor estratégia. Contudo, no contexto de uma pandemia de proporções planetárias que afeta todos setores da sociedade o que se demanda é um conjunto integrado de ações: distanciamento e isolamento social, higiene pessoal, tratamentos eficazes e principalmente vacinação. O fato de haver vacinas não isenta a importância de desenvolvimento e prospecção de fármacos. Um não anula nem diminui a relevância do outro, ao contrário, são complementares. Por esta razão que se tem, por exemplo, vacinas e medicações para as gripes. Comentários como “Para doença viral a solução é vacina!” são reducionistas, precipitados e desinformativos. A vacinação realmente é a principal estratégia, mas não a ÚNICA. O combate deve ser INTEGRADO e tais tipos de comentário configuram um desserviço à ciência e à academia.

Entendemos que em uma época de extrema ‘infodemia’ e ‘desinfodemia’ (termos recentes para o excesso de informação e desinformação respectivamente) muitas pessoas temem as repercussões negativas de uma notícia. Distorções e interpretações precipitadas e equivocadas sempre existirão e devem ser combatidas e esclarecidas. Estamos à disposição para esses esclarecimentos.

Após lermos alguns comentários e tomarmos conhecimento de alguns posicionamentos revisamos cuidadosamente os textos que foram divulgados acerca do trabalho. Não há nenhum elemento linguístico e textual que induza implicitamente ou explicitamente que o própolis será a salvação para a pandemia. Estes entendimentos são frutos de má interpretação e distorções e NÃO devem ser alimentados nem difundidos.

Algumas críticas positivas sugeriram que o título e o texto poderiam ser melhorados. Isto sim é fato: tudo pode ser melhorado e muitas das sugestões foram acatadas. Porém também é fato que a matéria em si não configura uma ‘desinfodemia’. Mas pode sim ser melhorada e será nas próximas veiculações para que a possibilidade de haver margens para más interpretações seja reduzida.

Em ciência tudo que pode ser defendido também pode ser criticado e questionado, e vice-versa. Como amantes da boa ciência defendo que que questionamentos e críticas bem fundamentadas são essenciais para a construção do conhecimento científico factível e de credibilidade. Nos disponibilizamos com satisfação para qualquer questionamento e esclarecimento referente à pesquisa; porém que estes questionamentos sejam sérios, maduros, com fundamentação lógica e científica e com foco no nosso trabalho. Não daremos atenção a perguntas enviesadas e/ou com comparações a estudos e usos de outros fármacos.

Comentários e acusações como ‘oportunistas’, ‘irresponsáveis’ ou qualquer outro que causem constrangimento não serão tolerados pelo nosso grupo. Caso se propague algo desta natureza direcionado a alguém da nossa equipe, principalmente à discente Natália, entenderemos estes e qualquer colocação constrangedora como assédio moral e tomaremos as medidas administrativas e/ou judiciais cabíveis.

Como forma de mitigação de qualquer mal-estar que a repercussão da notícia tenha causado, o professor Rafael Trindade Maia disponibiliza-se para falar sobre o trabalho em uma transmissão ao vivo (live) no dia 05/07/2021 às 19h no perfil https://www.instagram.com/rafael.maia.5836/. Na ocasião o referido docente estará disponível para falar das potencialidades e limitações do nosso estudo, bem como para receber perguntas e críticas. Agradecemos desde já a atenção e compreensão de todos”.

Mais amor à verdade do que simples apego às suas próprias convicções (Lema do cientista). Supra omnes lux lucis”, finaliza a nota.

No link a seguir, disponibilizamos um breve vídeo gravado pelo professor Rafael Maia sobre o assunto: https://youtu.be/nJvWaNFoCZE .

Também está disponível através do link: https://youtu.be/tLfSdyNVV5o, o vídeo de uma entrevista concedida à TV Correio pelo professor Rafael e a aluna Natália.

A Tribuna do Cariri Assimp CDSA/UFCG

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